Após se tornar réu por acusações de participar de uma tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, concedeu uma entrevista à Folha de São Paulo, que foi divulgada no dia 29 de março, pelo veículo.
Nela, além de reconhecer que "conversou" com aliados sobre estado de sítio, estado de defesa, artigo 142 e intervenção, ele respondeu sobre se uma prisão poderia representar o fim de sua carreira política: "É o fim da minha vida. Eu já estou com 70 anos".
Bolsonaro também descartou pedir asilo político nos Estados Unidos e juntar-se, assim, com seu filho Eduardo Bolsonaro, que anunciou sua mudança ao país governado por Trump. "Zero, zero, zero [possibilidades]. Eu acho que estou com uma cara boa aqui, Tenho 70 anos, me sinto bem, Eu quero o bem do meu país."
Esta não foi a primeira vez que Jair Bolsonaro falou de sua situação. Mal terminou o julgamento que o transformou em réu no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente se dispôs a dar declarações sobre as acusações que enfrenta a partir de agora.
Em uma entrevista coletiva, sem espaço para perguntas, o primeiro ex-presidente a se tornar réu por ataques contra a democracia tratou o recebimento da denúncia como uma perseguição. “Parece que é algo pessoal contra mim”, afirmou, segundo a CNN.
Bolsonaro voltou a garantir que não participou de nenhuma tentativa de golpe de Estado e que a acusação contra ele é “grave e infundada”.
“Golpe não tem lei, não tem norma, golpe tem conspiração com a imprensa, o parlamento, setor do poder judiciário, da economia. Forças armadas em primeiro lugar, sociedade, empresários, agricultores”, disse Bolsonaro.
O ex-presidente argumentou que “discutir a hipótese [de algum tipo de ação] não é crime”, em referência à reunião que manteve em dezembro de 2022 com o então comandante do Exército, general Freire Gomes, relatou o site UOL.
O depoimento de Freire Gomes é um dos que mais pesa contra Bolsonaro. O general afirmou que, nesse encontro, o ex-presidente lhe apresentou a famosa minuta golpista. O militar sustenta que não concordou com a proposta de golpe.
Sobre o 8 de janeiro, Bolsonaro afirmou, de acordo com o UOL, que desencorajou manifestações violentas após sua derrota nas urnas.
Entretanto, o portal recorda que o ex-presidente pressionou o Exército para não desmobilizar os acampamentos montados por seus apoiadores em frente a diversos quartéis do Brasil.
Na última quarta-feira (26), Bolsonaro também voltou a atacar as urnas eletrônicas (comprovadamente seguras) e o esquema das eleições, afirmando que em 2022 o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) trabalhou contra sua candidatura.
“Durante as eleições de 22, o TSE influenciou, jogou pesado contra eu (sic) e a favor do candidato Lula”, declarou Bolsonaro, segundo o UOL.
Sobre as urnas, Bolsonaro afirmou: “Confio na máquina, não sou obrigado a confiar no programador. [...] O voto impresso é um direito, como a contagem pública de votos tem que ser feita”.
Bolsonaro, agora, deve trabalhar para conseguir a anistia, tendo em conta que já existe um projeto de lei sobre o tema pronto para tramitar no Congresso. “Vamos continuar essa luta pela anistia. Anistia é perdão, é passar a borracha, é fazer o Brasil voltar a sua normalidade”, afirmou o agora investigado pelo STF.