Um ataque aéreo atingiu, nesta terça-feira (17), o hospital Ahli Arab, na cidade de Gaza, no norte da Faixa de Gaza, matando ao menos 500 pessoas, segundo o Ministério da Saúde da Palestina. A Palestina atribui o ataque a Israel.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) disseram que de acordo com "informações de inteligência" a "organização terrorista da Jihad Islâmica é responsável pelo bombardeio que falhou e atingiu o hospital".
O que se sabe sobre o hospital e sobre o ataque:
- De acordo com autoridades palestinas, Israel foi responsável pelo ataque.
- Segundo o Ministério da Saúde palestino, centenas de vítimas continuam debaixo dos escombros do edifício.
- As Forças de Defesa de Israel afirmaram que, "pela análise do sistema operacional", um "míssil inimigo" em direção a Israel "passava pelas proximidades do hospital quando o hospital foi atingido". Israel atribui o ataque à Jihad Islâmica, rival do Hamas.
- O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que "terroristas bárbaros em Gaza" que atacaram o hospital, "não a IDF".
- De acordo com a Reuters, um porta-voz da Jihad Islâmica negou que a organização seja responsável pela explosão no hospital.
- Após o ataque, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, decidiu encurtar sua viagem à Jordânia, onde ele se encontraria com o presidente dos Estados Unidos Joe Biden nesta quarta (18), e retornar nesta noite. Segundo um assessor-sênior de Abbas, o presidente convocou uma reunião de emergência.
- O Ahli Arab, o mais antigo de Gaza, fundado em 1882, é um hospital missionário cristão, administrado pela Diocese Episcopal de Jerusalém.
- A instituição estava atendendo centenas de pessoas, além de servir de abrigo para civis que fugiram de suas casas em meio aos bombardeios israelenses.
- O Ahli Arab tem 80 camas de capacidade e, usualmente, recebia cerca de 3.500 visitas por mês e realizava 300 cirurgias.
- Segundo o Washington Post, o Ahli Arab é um de pelo menos 11 hospitais na Faixa de Gaza que sofreram danos desde o início do conflito.
- Vários países e organizações condenaram a explosão no hospital.
- O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que os primeiros relatos indicam “centenas de mortos e feridos”.
- “Nós clamamos pela proteção imediata de civis e do cuidado de saúde, e para as ordens de evacuação serem revertidas”, disse Adhanom.
- Segundo a OMS, o hospital é um dos 20 impactados pela ordem israelense de evacuação. No início desta semana, Israel emitiu um aviso para que todos os moradores do norte da Faixa de Gaza, incluindo a cidade onde fica o hospital, deixassem a região.
- Para a entidade, a ordem de evacuação é “impossível” de ser cumprida, considerando a “insegurança, condição crítica de muitos pacientes, falta de ambulância, equipe, equipamento e disponibilidade de abrigo alternativo”.
- Segundo a organização Amigos Americanos da Diocese Episcopal de Jerusalém, que apoia o hospital, o centro de diagnóstico e tratamento de câncer da instituição já havia sido atingido por bombardeio israelense no último dia 14, ferindo quatro funcionários do hospital.
Países e organizações se posicionam sobre o ataque
De acordo com a agência de notícias palestina WAFA, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, determinou um período de luto de três dias após o ataque.
O Ministério do Exterior do Egito disse que Israel deve "parar imediatamente com essa política de punição coletiva contra o povo de Gaza", em referência ao ataque ao hospital. O órgão egípcio denunciou, ainda, o que chamou de "ataque deliberado a alvos civis em violação do direito internacional e dos valores mais básicos de humanidade".
O Ministério de Relações Exteriores do Catar também condenou o ataque. "A expansão dos ataques de Israel sobre a Faixa de Gaza incluí hospitais, escolas e outros centros da população em uma escalada perigosa", diz o comunicado.
Mais cedo, a agência da ONU para refugiados palestinos, a UNRWA, reportou que ao menos seis pessoas foram mortas nesta terça-feira (17) quando uma escola da agência foi atingida durante um bombardeio israelense. A escola ficava no acampamento de refugiados al-Maghazi, na região central da Faixa de Gaza.
"Não há mais lugar seguro em Gaza, nem os prédios da UNRWA, afirmou a agência".
No X (antigo Twitter), o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan disse que o ataque é "o exemplo mais recente dos ataques de Israel desprovidos do valores humanos mais básicos".
Um líder do Hamas, grupo terrorista que controla a Faixa de Gaza, afirmou que os Estados Unidos são responsáveis pelo ataque ao hospital.
“Os Estados Unidos tem responsabilidade pelo ataque por causa da cobertura que dá para a agressão israelense”, disse Ismail Haniyeh, segundo a Al Jazeera.